“(...) É perdoável que às vezes queiramos fixar, o pintor na sua tela, o viajante no seu diário, a rapidez com que se alternam as cenas no espaço; como se todo o nosso ser se revoltasse contra o fugidio, o instinto do eterno prendesse na retina enlouquecida o momento que passa; para não passar. Revivo-o, na página velha do caderno: ”Raios de sol que parecem os do cimo do Tabor, quando treme no espaço o gládio de ouro. Núvens de violetas. Águas ensanguentadas, coroas brancas, no fundo do céu a placidez do campo azul que vai amarelando, corando-se, desmaiando, nas cambiantes da luz em agonia. Tons negros, de lápis-lazuli, de verde sombrio, no ar... Por fim, o manto húmido da noite que se desenrola, salpicando de gotas cintilantes, na imensidade quieta” (...)” PEDRO CALMAO (Pedro Calmão, Memórias, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1995)
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