“Quanto à sociologia, 1933 é o ano de Gilberto Freire, que juntava à novidade do plano o estilo fluente e ameno de excelente escritor. Virou ele pelo avesso a compreensão do país. Apresentou-nos pela primeira vez a intimidade preguiçosa de “sobrados e mocambos”, os escabrosos costumes de copa e cozinha, ao luar sensual do nordeste, o outro lado da vida, a do engenho e da cidade na planície pernambucana, colada à caatinga de Euclides da Cunha pelo mesmo fascínio verbal. Acharam ambos as veredas da realidade. Euclides destampara o cofre. Revelou Gilberto o que jazia na escuridão doméstica, em que se travavam de amor secreto raças, e de sua doce conversa, na sujeira do quintal, despertava o povo moreno. Comparo Varnhagen e Freire. Depois daquele não se devia ficar na cronologia e na onomástica da tradição; nem depois deste manter fechada a porta que dava para a senzala. (...)” PEDRO CALMÃO (Pedro Calmão, Memórias, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1995)
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