“Sera' que tenho vergonha da substancia autobiografica de toda a minha obra? Oicam Kierkegaard:” Um autor deve dar sempre algo do seu ser [de sa personna? - mas nao gosto], tal como Jesus Cristo nos nutre no seu corpo e no seu sangue” (Diario, 1838). Ele sabe o que diz.
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Sera' que Gide leu Kierkegaard? Torsten Bohlin, cuja excelente monografia acabo de ler agora, pretende que La porte etroite esta' impregnada de Kierkegaard, que e' o mesmo problema de Temor e Tremor (Os ciumes de Deus, Alice sacrifica Jerome a Deus, etc.), que le roman est un enfant legitime de cet esprit kierkegaardien”, etc. Mas no Diario de Gide apenas encontro (pag. 355) uma unica frase citada de K[ierkegaard], alias uma frase qualquer. A frase citada, e e' so'. No ano de 1911, pergunto-me o que e' que Gide poderia ler de K[ierkegaard], ou sobre ele, em frances – ja' que em alemao leu sempre com dificuldade.
12 de Janeiro
Elle est retrouvee.
Quoi? L'eternite' (A[rthur] Rimbaud)
(...)”
MIRCEA ELIADE (Mircea Eliade, Diario Portugues [1941-1945]. Guerra e Paz, Lisboa, 2008)

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