“(...) Como escrevo em nome desses trez?... Caeiro por pura e inesperada inspiracao, sem saber ou sequer calcular que iria escrever. Ricardo Reis, depois de uma deliberacao abstracta, que subitamente se concretiza numa ode. Campos, quando sinto um subito impulso para escrever e nao sei o que. (O meu semi-heteronymo Bernardo Soares, que alias em muitas coisas se parece com Alvaro de Campos, apparece sempre que estou cansado ou comnolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocinio e de inhibicao; aquella prosa e' um constante devaneio. E' um semi-heteronymo porque, nao sendo a personalidade a minha, e', nao differente da minha, mas uma simples mutilacao della. Sou eu menos o raciocinio e a affectividade.. A prosa, salvo o que o raciocinio da' de tenue 'a minha, e' igual a esta, e o portuguez perfeitamente igual; ao passo que Caeiro escrevia mal o portuguez. Campos razoalvelmente mas com lapsos como dizer “eu proprio” em vez de “eu mesmo”, etc. Reis melhor do que eu, mas com um purismo que considero exaggerdo. O difficil para mim e' escrever a prosa de Reis – ainda inedita – ou de Campos. A simulacao e'mais facil, ate' porque e' mais espontanea, em verso.) (...)” FERNANDO PESSOA (Fernando Pessoa, Eu Sou Uma Antologia. 136 Autores Ficicios, edicao de Jeronimo Pizarro e Patricio Ferrari, Tinta da China, Lisboa, 2013)
Post a comment
Comments are moderated, and will not appear until the author has approved them.
Your Information
(Name and email address are required. Email address will not be displayed with the comment.)

Comments