“(...)[Os alemães] São o contrário dos brasileiros, a maior parte dos quais não tem a menor ideia do que estará fazendo na próxima meia hora, quanto mais amanhã.
Talvez tudo se reduza a uma questão filosófica sobre a imanência do ser, o devenir, o princípio de identidade e outros assuntos dos quais fingimos entender, em coquetéis desagradáveis onde mentimos a respeito de nossas leituras e nossos tempos na Faculdade.
No plano prático, contudo, a coisa fica gravíssima.Se o Brasil tivesse fronteiras com a Alemanha, não digo uma guerra, mas algumas escaramuças já teriam eclodido, com toda a certeza – e a Alemanha perderia, notadamente porque o Brasil não compareceria às batalhas nas horários previstos, confundiria terça-feira com sexta-feira, deixaria tudo para amanhã, falsificaria a assinatura oficial no documento de rendição, receberia a Wehrmacht com batucadas nos momentos mais inadequados e estragaria tudo organizando almoços às seis horas da tarde. (...)”
JOÃO UBALDO RIBEIRO
(João Ubaldo Ribeiro, Um Brasileiro em Berlim, Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2006)

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