“Nova certeza: que querem o nosso exterminio. Tambem isso eu aceito. Sei-o agora. Nao vou incomodar outros com os meus medos, nao vou ficar amargurada se outras pessoas nao entenderem do que se trata, para nos, judeus. Esta certeza nao vai ser ser corroida ou invalidada por outra. Trabalho e vivo com a mesma conviccao e acho a vida prenhe de sentido, cheia de sentido apesar de tudo, embora ja nao me atreva a dizer uma coisa dessas em grupo. O viver e o morrer, o sofrimento e a alegria, as bolhas nos meus pes gastos e o jasmim atras do quintal, as perseguicoes, as incontaveis violencias gratuitas, tudo e tudo em mim e' como se fosse uma forte unidade, e eu aceito tudo como uma unidade e comeco a entender cada vez melhor, espontaneamente para mim, sem que ainda o consiga explicar a alguem, como e' que as coisas sao. Gostava de viver longamente para no fim, mais tarde, conseguir explicar, e se isso nao me for dado, pois bem, nesse caso uma outra pessoa ira faze-lo e entao um outro continuara a viver a minha vida, ali onde a minha foi interrompida, e por isso tenho de viver a minha vida tao bem e tao completa e convincentemente quanto possivel ate ao meu derradeiro suspiro, para que o que vem a seguir a mim nao precise de comecar de novo nem tenha as mesmas dificuldades” ETTY HILLESUM (Etty Hillesum, Diario – 1941-1943, Assirio & Alvim, Lisboa, 2008)
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