Estou escrevendo estas brevivências sem saber quando as colocarei no “amistad”, aqui. Porque agora, então? Aproveitando o tempo que falta até a internet que utilizo abrir para os clientes. Na verdade não gosto de perder tempo.
– Ontem, por exemplo, não sabendo como ocupar 2 horas, corri para o cinema e sem saber que filme lá estava passando, comprei a entrada, já o mesmo teria começado uns 10 minutos antes. Não perdi nada. Perderia, isso sim, se o não tivesse ido ver. Gostei, gostei, francamente. Nem sei o nome do seu realizador, muito menos dos seus actores (me baseio sempre muitíssimo mais em quem é o realizador de um filme do que nos actores. Obviamente que, como em tudo, há excepções. Só um exemplo paradigmático: Meryl Streep. Sentei-me na 3a. fila, ali bem em frente do ecrã enorme, como que mergulhei naquelas imagens, naquela história, naqueles personagens. História bem concebida, bem construída, bem realizada, bem interpretada. Obra-prima? Claro que não, pois lhe faltava “aquele mais” que, mutatis mutantis, o Rolland Barthes, se referindo à Fotografia, designaria de punctum. Apesar disso, tempo bem passado.
– Ontem tinha sido um dia cheio de coisa boa e de coisa (eufemisticamente) menos boa... C'est la vie. Não querendo/podendo contar tudo, pois as pessoas, eventualmente, seriam reconhecíveis/ se reconheceriam e até me poderia levar, para ser fiel à verdade, que tanto amo, a ter que revelar confidências de outros, o que, obviamente não farei. Para dar razão mínima à leitura deste naco, somente direi que tem a ver com amizade, com conhecimento/amizade derivada da primeira amizade e de decepção dessa segunda. O ideal, na minha maneira de 'pão-pão, queijo-queijo' seria dizer 'a pessoa tudo o que sei dela. Porém, não o posso fazer. Os factos (palavras são/podem ser factos) novos, porém, passados ontem à tarde, levaram-me a escrever o máximo do mínimo, pois me irrita não poder chapar na cara de uma pessoa o que sei dela, a demascarar. Assim sendo, o melhor foi mesmo mergulhar num filme, bem dentro do ecrã. O cinema , quando não péssimo, tem também esta função boa.
– Ontem recebi por e-mail, de um primo português, uma sugestão para assinar uma petição pública, que está circulando em Portugal, para levar o governo a desistir/renunciar do /ao chamado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A razão deles é clara: O Brasil, maior benificiário dele, nem sequer o cumpre. São os restantes países de Língua Oficial Portuguesa que o têm então de cumprir? Felizmente tem havido resistentes. Admiro, por exemplo, aqueles escritores que exigem dos editores brasileiros que a edição de livros deles no Brasil seja exactamente como eles a escreverem, sem nenhuma alteração devido a acordo ou seja lá o que for. (Ainda) não assinei a petição. Duas razões: a) Duvido muito que a mesma faça mover o governo; b) Este terreno nubloso entre a escrita antes do acordo e a o respeitando, me dá a possibilidade de acrescentar a minha própria, a que chamo de criatividade gramatical. A junção ao meu racionalismo (com sentimentos) habitual de uma componente de liberdade/libertarismo não faz mal nenhum. Só bem.
– Ontem (ontem aconteceram muitas coisas, de facto) tive uma conversa legal com o chefe/coordenador/seja o que for de um sector do Sesc., onde gosto muito de almoçar. Ele sempre me cumprimentava impecável e gentilmente. Desta vez, porém, veio-se sentar junto a mim e deu um bate-papo excelente. Daqueles que aqui é possível mesmo as pessoas não se conhecendo minimamente bem.
É um dos lados positivos deste país (segundo uma enorme amiga brasileira de S. Paulo, eu deveria dizer Nordeste, pois o Brasil é muito grande e muito diferente de região para região) que tem tanta coisa bem diferente e em choque com a minha maneira (norte)-europeia de ser, pensar e agir e que, por isso mesmo, não estando de acordo, critico. A liberdade de pensamento e a sua expressão são um bem extraordinário, um dos direitos fundamentais da União Europeia. Felizmente também de outros países.
– Olho para o telemóvel (celular) e vejo que é hora de tomar o suco natural que a dona do pequeno e simples restaurante habitualmente prepara para mim, sem adicionar açúcar e gelo. Seguir-se-á mais um café na tendinha “da Liduína”, junto a praça de táxis e, espero bem, será tempo para ir para a internet.
- Passaram dois dias e coisas boas e algumas muito más aconteceram. Das mas resumirei somente a confirmação de ser muito difícil (sobretudo aqui) conhecer-se quem é amigo/a ou não. Mesmo passados vários anos. O mais exasperante para mim é que algumas pessoas têm alguns trunfos na mão, com que podem manipular, enquanto eu, que tenho outros fortíssimos que as “deitava por terra” não os posso usar, já que não quebro (questão de carácter) promessas de não os revelar.
É mais do que tempo de me ir. Para tomar a ave voadora e nela voar para o Hemisfério Norte.
Antes que me esqueça, porém, já que falara também ter havido coisas boas, posso dar o exemplo do encontro casual, em lugares diferentes, com bons conhecidos/amigos de há anos. E as conversas que se seguiram. Um deles me convidou para jantar amanhã. Nem respondi, sorrindo somente. Quando há uns 10 dias um conhecido me convidou/desafiou, na presença do partner dele, para irmos fazer um projecto, etcetcetc., dentro de mim, silenciosamente, eu sabia que aquilo poderia nunca vir a ser nada. Nem mesmo um contacto ou telefonema até agora. E assim foi: silêncio. Ad infinitum.
Um conhecido escritor brasileiro escreveu num seu livro que no Brasil a palavra “amanhã” pode significar tudo, excepto “amanhã”.
– Por que tenho uma preferência absoluta para dois/três meios de comunicação com outras pessoas? Me refiro a: a) e-mail;b) conversa directa, presencial, pessoa a pessoa; b) telefonema.
O e-mail tem várias vantagens sobre todas as outras formas: 1) Se pode escrever, corrigir, acrescentar e enviar quando se quer e se acha o momento oportuno. Até se pode fazer acompanhar de anexos, documentos longos, escritos ou visuais. Por outro lado, o receptor (pessoa ou pessoas a quem se envia e é dirigido), pode escolher o momento apropriado para o ler e responder. Mais importante : tudo que é escrito fica consultável e, nem quem escreveu, nem quem leu, pode dizer alterar/negar sobre o que foi escrito. Facilmente se consulta e prova a verdade.
Nos dias de hoje, isto me parece fundamental e disso tenho constatado como assim é... Palavras (ditas) leva-as o vento e as escritas não.

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