“(...) a emocao irrompe imediatamente dos gestos de Pina Bausch. (...) Uma palavra vem sempre rodeada de emocoes nao-definidas, de tecidos esfiapados de afectos, de esbocos de movimentos corporais, de vibracoes mudas de espaco. Forma-se uma atmosfera nao-verbal que rodeia toda a linguagem. Quando Pina Bausch propoe “ternura” como palavra-chave, desperta nos seus bailarinos essa camada atmosferica nao-verbal.
Nao se trata de silencio, mas de qualquer coisa que nao e' da ordem nem da ausencia nem do “banco psiquico”, qualquer coisa que queria falar e nao pode. Qualquer coisa que passa entre a fala e o silencio e e' o murmurio do corpo que compoe o seu sentido irradiante. Nao o seu contexto, mas aquilo que toda a fala produz sobre as camadas nao-verbais corporais ou psiquicas, ressonancias sensacoes, afectos e movimentos de pensamento que nao pensam nada. Nao se trata de um 'contexto' (o “contexto nao-verbal da enunciacao”, por exemplo), mas de qualquer coisa como um meio provocado, criado pela propria enunciacao, e que penetra em todas as direccoes daquilo que, no corpo, pode produzir sentido ou esta ligado ao sentido.” JOSE GIL (Jose Gil, Movimento Total – O Corpo e a Danca, Relogio d'Agua, Lisboa, 2001)

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