- Não escrever é, para mim, uma questão de desábito. Nada tem a ver com preguiça ou semelhante. Tem, sim , a ver com o lugar e o ambiente. Tem até a ver com o não ter algo de mais urgente. Tem a ver com o espírito certo. Há também vários tipos de escrita.
A que mais comumente faço são e-mails. Um dia me disse até e-mailista quando alguém insistia em eu entrar para essas pestinhas sociais que são o o facebocas e, mais aqui neste hemisfério, o what's up?. Não vou aqui enumerar o negativo dessas coisas, tanto a nível de comunicação verdadeira interpessoal, quer a nível de falta de falta de privacidade. São por demais conhecidas. Basta querer saber.
Por outro lado o e-mail tem a enorme vantagem de se poder fazer, se se quiser, e esse for o habito pessoal (não é o meu), um rascunho, corrigir e só depois enviar. O receptor pode ler quando e de que modo quiser. O conteúdo permanece, se essa for a vontade deste, legível/consultável para ele.
A segunda escrita que desde há anos pratico é de ordem autobiográfica. Um dia, total ou parcialmente, será mais do que provavelmente publicada. O interessante é que teve sua génese em e-mails. Grande amiga de adolescência, que há dezenas de anos não via, me pediu para eu lhe escrever sobre o que foi minha vida desde então. Com a minha mentinha estructurada e organizada (fruto de minha antiga profissão) de imediato fiz um esquema, adaptável, e dei inicio a uma história, crono-temática, de um cara. Já vai em várias centenas de paginas, muitas, a maioria, escritas e guardadas em laptop nunca ligado à internet.
Tudo isto (e tão pouco é) só para explicar (se necessário fora) a razão por que nos últimos tempos ter vindo a escrever mais “brevivências” do que habitualmente.
– Tenho vindo a almoçar no complexo artístico adjunto ao Dragão do Mar. Aí encontro arroz integral, peixe ou peito de frango (evito carnes vermelhas), este assado na chapa, portanto sem gordura, feijão cozido, que sempre me servem como quero, ou seja sem molho, abundante salada verde mista fresca, etc., etc. Tudo o que de bem faz à saúde e nada de mal Se isso não fosse já suficiente, aí tenho encontrado inesperadamente pessoas, antigo(a)s amigo(a)s e conhecido(a)s que, para minha surpresa, não me esqueceram e , pelo menos exteriormente, demonstram de motu proprio enorme alegria por nos voltarmos a ver e falar. Ontem foi a Willemara. Bem a meu modo, perguntei-lhe se ela ainda era a melhor bailarina do Ceará, como cinco anos atrás por todos (ou quase) era considerada. Rindo, disse que sim. Depois de bato-papo longuinho me convidou a ir daqui a cerca de um mês, ver a actuação o espectáculo comemorativo dos 40 anos de carreira artística dela. Levaria com ela um presente para mim: a oferta do livro autobiográfico publicado há um mês. Foi óptimo.
– Se há coisas boas aqui, também as ha' das bem mas. Hoje não me referirei a elas. Deixarei somente, a titulo de apontamento, a busca de iogurte magro, não líquido, (feito de leite 100% desnatado), com pedaços de frutos naturais e sem adição de açúcar (a não ser, obviamente, o contido nos próprios frutos). Coisa simples, banal, comum, na Europa e, imagino, que em muitos outros países. É que do mesmo tomo diariamente o correspondente a 2 litros (yes!!!) por dia. É o meu vicio alimentar ahahahahaha. A busca continua.
– Para minha surpresa (quando são boas, são optimas) no espaço de dois dias recebi um e-mail da Renée, grande, grande, amiga, de Curaçao (antigas Antilhas-Holandesas, nem sei bem o status actual, pois das várias ilhas umas escolheram continuar a fazer parte integrante, como sempre, dos Países-Baixos; uma delas, Aruba, há anos que escolhera o chamado “estatuto aparte, e outras, julgo que Curaçao, passou a ser independente, mas continuando a fazer parte do reino dos Países-Baixos), a quem eu há anos e anos devia resposta de e-mail. De imediato, lhe pré-respondi - deixando para hoje resposta condigna – pedindo desculpa de meu silêncio. O segundo e-mail foi tipicamente da Renée: que não me tinha nada que desculpar, o que era importante era saber que eu estava bem. O não típico estava na parte em que dizia que passara a ser paciente. Ahahahahah a Renée paciente! Isso é mesmo novidade. Já agora algo de pequeno (haveria muito mais a contar):
Quando há anos e anos atrás ela resolvera deixar o bom e seguro emprego que tinha na nossa universidade neerlandesa (ela é de uma inteligência brilhante) para regressar definitivamente a Curaçao, em vez de tomar o voo directo da KLM Amsterdam-Curaçao, fê-lo via Lisboa, aí fazendo um stop-over de 24 horas para...... se despedir de mim. Que maravilha de pessoa a Renée. Mas isto não acabou aqui. Me deu como justificação extra o saber que eu nunca iria a Curaçao, pois que interesse teria eu em ir visitar uma amiga pequenina de estatura (não posso negar hehehehe), negra e pertencendo a uma ilha tão pequena como ela? Creio que, conhecendo-me bem, ela imaginaria o efeito, que de facto as palavras dela tiveram: Não demoraram semanas e eu tomei o avião Lisboa-Curaçao-via Caracas, e fui visitá-la durante 10 dias. E' disto que se fazem amizades. Aliás o nome deste bloguito, amistad, deve-se a conjugação de quanto a palavra para mim e importante e de termos, Renée e eu, a sugestão dela, ido ver em Curaçao o filme com o titulo de...amistad. E mais não conto por hoje.

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