– Há cerca de uma dezena de anos, por mera casualidade factual, comecei a vir regularmente para o Brasil. Dada a minha colaboração artìstico-cultural, absolutamente gratuita, somente por prazer, vários grupos de dança e outras artes insistiram repetidamente comigo para ficar mais e mais tempo e queriam que aqui permanecesse tempos quase sem limite. Cheguei a, acompanhado por uma coreógrafa (com quem eu mais tarde viria a cortar relações) tomar o pulso as possibilidades oficiais para isso ser realidade. Houve, porém, uma condição que na altura impunham que me recusei a satisfazer. Então e nunca. O tempo passou. Eles não desistiam (afinal minha colaboração, absolutamente gratuita, lhes parecia de grande importância para as artes e cultura desta cidade e região), até que, casualmente, numa visita de simples cortesia (o governador e eu éramos ambos amigos de um grande amigo comum, diplomata cultural português) ao então Governador do Estado do Ceará, que me recebeu sozinho durante uma hora, no seu gabinete oficial de trabalho. Ele deu instruções claras, na minha presença, ao seu Adjunto para Serviços Especiais no sentido de serem ultrapassados todos os entraves legais, em Brasília, para os ent~so meus desideratos. Tudo foi de imediato posto em marcha nesse sentido. Fui, porém, eu mesmo quem, antes de ser obtido o desejado, perante factos aqui passados, comuniquei desistência dessas minhas vontades, iniciando-se assim meu afastamento progressivo do Brasil. Passei a vir, de vez em quando, poucas semanas por ano. Daí estes apontamentos, dispersos, de agora.
– Fui ver a “Magia de Miró na Caixa Cultural de Fortaleza. Pode-se considerar uma boa exposição, naturalmente não comparável a uma exposição de obras dele no CCB de Lisboa, na Tate de Londres ou no Stedelijk Museum de Amsterdam, mas Fortaleza, apesar de capital de um Estado com uma superfície igual a de toda a França, não é uma capital europeia... Mesmo assim gostei. Bem organizada, consequente em sua totalidade, com acento em algumas obras, de formato pequeno a médio, dos anos 60 e algumas dos anos 70.
– Esta segunda visita a Caixa Cultural de Fortaleza foi, por outro lado uma surpresa. Na primeira, há uns dois anitos, fora assistr a um espectáculo dos Bricoleiros, grupo de “teatro de bonecos” do melhor que conheço e sei no mundo. Não o digo por serem muito amigos meus. Prova-o, por exemplo, no mês passado terem actuado uma semana no México e há 6 dias que estão numa tournée oficial de 5 meses por todo o Brasil. Nessa altura o CCF não estava ainda toda em funcionamento.São belíssimos espaços, excelente adaptação de antigo, sólido e enormíssimo prédio, bem em frente do famoso Centr Dragão do Mar de Artes e Cultura. À CCF voltarei para fazer umas quantas fotos dos espaços, já que o posso fazer, soube.
– A temperatura está amena. No entanto os locais chamam a uma chuvada de minutos “chuva de gripe”, pois este tipo de tempo a causaria.
– Mais interessante seria descrever, palavra a palavra, melhor ainda filmar, o diálogo de uns 20 minutos entre um cara, aproximadamente na casa dos 50, tentando vender o conteúdo de uma caixa, tamanho médio, forma de paralelipípedo grandão. Afinal o mesmo eram umas sapatilhas de desporto. O comprador, “pescado” na internet, era um jovem por volta dos 20 anos, cabeça e cabelo de índio, que tentava que o outro lhe vendesse as mesmas por 150 reais. O “vendedor”, porém, usando de tudo o que é manha e truque conhecido, já batido nestas coisas, conseguiu, que o jovem as comprasse pelos 160 reais. Eu bem mudei de banco onde estava sentado, para outro mesmo na direção do olhar deste, pois se me tivesse olhado, eu não teria hesitado em, com um simples gesto de cabeça lhe passar o conselho para não comprar. Não olhou e comprou. O “vendedor da banha de cobra” desapareceu bem rapidinho com os 160 reais no bolso.
– Há muitos anos visitei, pela primeira vez, a World Press Photo na Niewe Kerk em Amsterdam. Desde então que fiquei sabendo ser uma organização holandesa. Com o passar dos anos e a internacionalização da mesma, melhor seria dizer mundialização, sempre que dizia tratar-se de uma organização neerlandesa, a maioria ds pessoas não acreditava. Hoje, porém, no catálogo da Wold Press Photo 2013, também patente ao público no mesmo ano na CC de Fortaleza, lá está, preto sobre o branco, a sua origem e sede: Amsterdam.
– Assistir à montagem de um palco para concertos/shows/etc. de grandes dimensões na zona a isso apropriada no Dragão do Mar pode ser muito mais interessante do que jamais imaginara. De eficiente, de complicado, de grande, de técnico, etc.. Nunca tanto como o de hoje. É pena, por não ter previsto vir aqui agora (estou escrevendo esta anotação num caderninho sobre o joelho, enquanto a cena se desenrola bem em frente) e por isso não ter trazido comigo a Lumix tz60. Teria sido oportunidade espectacular. Parece quase impossível que esteja escrevendo, como que falando, positivamente sobre a montagem de um palco com caixas de som (para mim o contrário de música, dados os decibeis exageradíssimos), que esta noite tudo invadirão, espaços, casas, paredes, protectores pessoais contra ruído indesejável, etc.. Será, como todos os fins-de-semana, um inferno... Em comparação com o belo da um trabalho de montagem técnica e profissional de tão alto nível que, para uma pessoa não apreciante de imagem e pormenores, poderia parecer chato e não digno de que sobre isso se escreva. Neste momento começa a bateria dando as primeiras batidas, ainda descontínuas, de experiência acústica. É hora de mudar de lugar...
- Embora esta noite esteja previsto ir assistir com amiga e amigos (ligados sobretudo a produção de eventos televisivos culturais) ao espectáculo de Dança pela Companhia de Lia Rodrigues (do Rio) no Centro Cultural do Banco do Nordeste, não vi na programação do Dragão do Mar a habitual prática e exibição livre de dança/acrobacias hip-hop e afins. Há anos e anos que, se cá, aos sábados, com início às 19 horas, estou presente e fotografo, freneticamente como é meu modo de o fazer. A galera já me conhece e no final vem falar-me e pedir para os fotografar individualmente em mini-exibições extra só para isso. Faço-o com gosto e contentes essa rapaziada fica. Haverá, apesar de não constante dos programas impressos do Dragão, também hoje? “Deus queira que sim”, como por aqui dizem.
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