– O empregado da minha grande amiga Z. está aplicando um producto na estructura de madeira por baixo do telhado do alpendre, usando um spray com largo jacto, de onde sai um producto químico muito odoroso, nitidamente perigoso para a saúde. Avisei que ele deveria usar mascara. Não ligou. Avisei a empregada; ela falou a ele na máscara, mas nada. Deixa para lá, pensei! Não vou nunca conseguir alterar hábitos ou mentalidades. O marido da Z., o S., é alemão. Responsalidade deles.
– Na semana passada uma das funcionárias da Caixa Cultural Fortaleza, sabendo-me muito interessado em tudo o que tem a ver com Artes e Cultura, aconselhou-me vivamente ir ver o espectáculo Passarinhada. La estive na estreia. Foi uma desilusão. Por mais que eu goste e defenda o desenvolvimento de culturas de localidades(esta é da aldeia de Moita Redonda) fora das grandes cidades, incluindo (mas não só) as que tenham raízes em tradições assim como hábitos com objectos locais, a que os antropólogos culturais poderiam apelidar de Etnografia, estou bem consciente que centros culturais de tão grande importância como a CCF deverão ser muito criteriosos na qualidade e nível do que apresentam ao público. O espectáculo em referência não está em condições de fazer parte da programação. Como simples espectador, apontarei coisas óbvias:
Se o começo prometia ser algo de bom, usando teatralidade, não teve sequência, ficou-se como uma folha solta sem árvore.
O uso de instrumentos musicais baseados em barro é uma excelente ideia, mas a música que se ouviu, ficou atrás do próprio barro em cru saído das margens do rio local. Nem a finalidade (uso de imitação de sons de aves) foi conseguida, praticamente nada. Não chega boa vontade e colocarem em palco umas duas dezenas (ou mais) de potenciais músicos. Seria preciso que eles conseguissem produzir música. Entre eles poderia assinalar uns 3 que, com musicalidade evidente, sobressaíram positivamente naquele grupo. Para já não falar sobre a ridícula fatiota do suposto dirigente. Por omnipresente entre o público e os músicos, ela contribuiu visualmente de forma negativa para aquilo.
A melhor parte daquele espectáculo musical foi o encore tirado a ferros, com evidente boa-vontade ou caseirismo, pelo público.
Aí sim, ouviu-se música. Para isso muito contribuiu a passagem para a frente do rapaz (na ignorância do nome, limito-me a sinalizá-lo pela parte central do cabelo colorida de loiro), multi-instrumental, que deu autêntico espectáculo de sentir, saber dominar e improvisar naquele instrumento. Nem uma única vez olhou para o tal dirigente (sim, o da fatiota ridícula), absorto na sua arte de bem tocar e como que improvisar, limitando-se de vez em quando a olhar para o companheiro do lado que, coitado, não tinha pegada para contribuir para uma autêntica jam-session. Se em vez deste tivesse ficado o anterior, carita gorducha, que, inexplicavelmente se viu relegado lá mais para o fundo, aí, sim, teriam os dois, sozinhos, em despique musical, valido por todo o espectáculo.
Seria fácil terminar aqui esta brevivências. Na vida, porem, não há que procurar o fácil, mas se se critica algo deve-se localizar, atribuir a responsabilidade a alguém, para que algo seja apreendido e desejavelmente alterado. Quem por parte da CCF convidou/aceitou este espectáculo devê-lo-ia ter visto antes e posto como condição para eles actuarem uma série de melhoramentos na qualidade daquilo. Assim não. O público, apesar dos aplausos, de musical ouviu quase nada e, pior do que isso, os componentes do grupo terão pensado que tinham actuado bem, com qualidade, o que será péssimo para a desejável evolução. Muitíssimo dela necessitam. E por aqui me fico.

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