- Em maior contraste com este momento quase não podiam ter sido os quatro dias que passei no Trairi. Intensos, repletos, redescobridores do descoberto anos atrás e de seguida coberto pelo pelo afastar do tempo. A força de amizades sinceras de três ou quatro pessoas. O reencontrar saboroso de outras outrora próximas. O conhecer de mais gente boa.
As horas, imensas, mesmo parecendo curtas, a dialogar sobre assuntos de Sociologia, Filosofia, Teologia, sistemas sociais de ajuda humana, enfim, coisas deste género. A conversa que depois, mesmo à distancia, se prolonga em correspondência internética.
A falta de tempo, escasso, mas rico, para tudo ver que queriam que visse. A concentração no essencial. Minhas perguntas directas, sinópticas, sem franjas. Eventualmente recepcionadas como 'brutais', talvez mesmo 'deseducadas', sei lá mais o quê. Contudo, eram exactamente respostas imediatas, sem tempo para escolherem as palavras, a espontaneidade da verdade, a opinião vivida de um/a aluno/a , de preferência à de um/a professor/a, que eu desejava obter. Me interessava conhecer a realidade, não o bonitinho. O resto, os rendilhados, etc., isso poderá ficar para depois, se lhe conceder tempo de leitura. No fundo, o que fiz foi tentar mergulhar na realidade verdadeira. E agora, aqui, esta brisa gostosa que limpa poeira e cansaço de viagem. Da outra. Da dos últimos dias la tão bem passados.
– Não conheço. Até pode ser que existam. Gostaria que assim fosse e que eu conhecesse. Me refiro a uma revista semanal brasileira, em papel, que tratasse os assuntos de maneira isenta, não tendenciosa, não ligada a ideologias, nem de esquerda, nem de direita, somente procurando e expressando ideias rigorosas e não mentirosas ou enganadoras. Isso há em alguns outros países que conheçoo. Exemplos? Time, Vrij Nederland, Der Spiegel, mesmo a Newsweek, etc. São as que gosto de ler. Sai-se bem informado e não desinformado.
Vem isto a propósito da revista Veja, brasileira. Maioria de meus amigos a detestam e não compreendem que eu perca tempo em a ler. Será mentirosa, reacionária, etc.. Um deles me aconselha, em contrapartida, a Carta Capital. Antes de mais devo dizer que esta é difícil de encontrar à venda nos quiosques de revistas. Por outro lado, me dá a impressão de ser o contraposto da outra. Contudo, não posso deixar de referir que na Veja desta semana li, para já e pelo menos, quatro artigos que muito me interessaram. São eles:
a) Um sobre Joan Miró, por ocasião, mas bem para além, da mostra extraordinária com obras dele que hoje mesmo se inaugura no Instituto Tomic Ohtake, em São Paulo. Interessante o facto de, como escrevi há dias, neste momento continuar patente ao público na Caixa Cultural Fortaleza uma outra exposição do grande pintor catalão. Do óptimo, quanto mais melhor!
b) Um artigo, quase dossier, noticiando expansivamente novas conclusões sobre os alimentos que deverão/iam ser evitados por causa do colesterol, assim como de outros que fazem bem a saúde. Devo confessar que estes artigos, escritos aqui de maneira tão imperiosamente definitiva, de tão opostos com o que a investigação cientifica medica tem dito até agora, simplesmente criaram em mim a vontade de procurar em fontes para mim cientificamente confiáveis, o que de facto, agora revelado está conforme com a verdade ou não. Devo confessar que, por exemplo, como leitor, fico perplexo com o que quererá significar a seguinte frase (pag. 82) sobre o bem que um a dois copos/taças de vinho tinto por dia fazem à saúde: “ (...) Na matemática da longevidade, esse hábito saudável confere três anos a mais de vida ao apreciador de tintos, em especial roses e brancos.” Como, como?! Reli a frase várias vezes e, francamente, será que quem a escreveu não teria tomado uma tacinha em demasia do dito cujo? Todo o mundo sabe que vinho branco é exactamente o oposto de vinho tinto e que rose é assim uma coisa “intermédia” que muitos apreciadores de vinho se recusam a qualificar de vinho... Ou haverá alguém que me explique o que o autor do artiguinho queria significar com a frase?
c) Tudo o que é escrito ou dito no Brasil sobre Política e Religião me parece perda de tempo. Não dá mesmo para conversar a sério...
d) Gostei muito de ler a entrevista com o biólogo inglês Richard Dawkins. Mesmo que algumas de suas posições não coincidam, parcial ou totalmente, com as minhas (Várias das transcrições de livros, etc. que coloco neste blogue não são sempre coincidentes com meu pensamento, mas a variedade de opiniões, desde que séria, acho excelente). Vale bem a pena ler a entrevista por inteiro. Aqui deixo, somente, duas coisinhas: ter citado Einstein e me revelado a existência de uma astrofísica americana, de nome Carolyn Porco, que, será uma “excelente cientista com uma imaginação poética.” Suficiente para despertar minha curiosidade em saber/ler mais dela/sobre ela.

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