"(...) E a Stravinsky, que discutira longamente com o jovem coreógrafo [Nijinsky] sobre a música, ele escreveu que esperava que Le Sacre du Printemps pudesse "abrir novos horizontes" e fosse "completamente diferente, inesperado e belo".
E de facto foi tudo isso. O bailado foi apresentado apenas oito vezes, e a coreografia foi depois esquecida, mas fotografias e notas mostram como era tão desconcertantemente diferente do ballet clássico: figuras corcovadas a arrastar-se, batendo com os pés e pondo-os em poses estranhas, virados para dentro, e braços enroscados e cabeças mortas. Os movimentos eram bruscos e angulosos, com os bailarinos reunidos a monte, dobrados, tremendo e comprimindo-se, ou circulando furiosamente em danças de roda tradicionais e depois irrompendo compulsivamente do círculo em saltos selvagens, Nijinsky inventou movimentos desconfortavelmente descoordenados, em que os braços seguiam um ritmo e as pernas outro, e um bailarino recordou saltos que terminavam brusca e deliberadamente com os pés achatados, fazendo vibrar "todos os órgãos dentro de nós". (...)" JENNIFER HOMANS (Jennifer Homans, Os Anjos de Apolo - Uma História do Ballet, edições 70, Lisboa, 2012)

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