"Ora, neste movimjento de sobrefragmentação gestual (ostensivo, na técnica Cunningham; ou nos movimentos do "butô"), a tendência orienta-se para a abolição do gesto como signo: o geste tende a incarnar o sentido. É o movimento do sentido que agora vemos no corpo do bailarino. O seu gesto é o único e saturado de sentido. Não resulta da aplicação de uma regra sintáctica quase-articulando zonas gestuais que indicam zonas de sentido, mas da própria emergência do sentido. O movimento destas micro-unidades diz imediatamente o sentido, como se este obedecesse a uma gramática semântica própria, não verbal.
O movimento dançado conduz a quase-articulação das zonas das zonas amplas de movimento (e de sentido) à construção de sequências articuladas imediatamente dotadas de sentido. O corpo dançado torna-se um sistema em que a quase-articulação sintáctica se resolve numa gramática semântica. Esta gramática tem como léxico micro-unidades gestuais indefinidas, e como sintaxe trajectos de energia (Deleuze diria: mapas de intensidade que percorrem o corpo do bailarino.) (...)" JOSÉ GIL (José Gil, "Movimento Total - O Corpo e a Dança", Relógio D'Água , Lisboa, 2001)

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