Faltam 50 minutos para o início da cirurgia. Dormi mal e pouco. Como era de esperar. A ajuda especializada cumpriu o que me prometeu (ah! que bom haver pessoas que o fazem!) e veio na hora exacta. Só me falta tomar a última dose tripla de antibióticos, precisamente uma hora antes da operação, quando o táxi chegar. O Ruud chegará cá dentro de 5 a 10 minutos. Ou antes. Nem foi preciso pedir-lho. Ele tem vindo sempre para me acompanhar nestes momentos hospitalares mais difíceis. Em caso de impedimento vem a Marijke. Nestes 10 minutos que tenho de avanço sobre o meu esquema de precisão resolvi não ler nada. Não teria concentração para isso. Coloquei um dvd chamado A Dança, que mais ouço do que olho enquanto escrevo estas linhas. É que tenho necessidade de extravasar o que sinto de mais importante. Aparentemente insignificâncias, ou outras.Todas, no entanto, importantes. Um dia, quando cá já não estiver, será o que de essencial restará. Podia ter meditado. Podia ter lido Zen. Ou um poema de Sophia. Podia ter até lido um texto bem escolhido da Bíblia (tem alguns textos lindos mesmo para quem a não veja como um livro apelidadamente sagrado). Ou um aiku. Escolhi a dança. Espírito feito carne em movimento. Para me dar alguma paz de que tanto preciso. E por aqui me fico, pois já terminaram os dez minutos que tinha.
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