"A liberdade à distância de um gesto"
"Tiago Bartolomeu Costa, em Avignon" [mais um excerto deste artigo]
"(...) Foi por aí que andou a pesquisar, tendo tudo começado quando encontrou um baterista nas ruas do Rio de Janeiro que não podia tocar ali, na rua, por ser interdito.
Ela usou o seu corpo para fazer nascer o movimento, num diálogo que se estendia para lá da previsível espiral de intensidade. "Não me interessa que se perca o controlo", conta, falando de um movimento que, ao contrário do que é hábito nas suas peças, não funciona por acumulação de energia, mas pelo contrário, "precisa ser consciente da sua força logo desde o início". "Não me interessa o esgotar da forma, nem a exaustão do movimento", diz. Viu peças que trabalhavam "a partir de um êxtase positivo, um êxtase que nos conduz para além dos limites do corpo, quando este é invadido de felicidade", mas o que lhe interessou foi descobrir como se podia ser "consciente no interior dessa felicidade". Os bailarinos, sempre em cena, "dissolvem e reconstroem, através de ciclos e repetições", o próprio movimento.
São a base de uma viagem "ao interior da própria dança", explica a coreógrafa, convocando um movimento "do espírito", mais do que "um movimento do corpo".
"Os bailarinos não deixam nunca de pensar onde está o limite desse mesmo movimento", acredita, perguntando-se permanentemente se esse limite está no que fazem ou no que é dito através do que fazem. (...)
(Lido em: Ípsilon, 17 de Setembro de 2011)
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