Ontem foi um dia para esquecer. Hoje (até este momento, claro!) foi um dia bom. Em vários sentidos. Desde a ausência de dor (ao contrário de ontem) até à consulta extraordinária a um especialista do Centro Médico Universitário de Utrecht. Há médicos e médicos. Há universidades e universidades. (Não é surpresa para ninguém que a Universidade de Utrecht tenha sido consideradaa melhor de todas, segundo estudo dirigido por Instituto de Investigação especializado com a colaboração de 152.500 professores catedráticos, professores principais e estudantes de todas as universidades. O resultado desta investigação anual foi tornado público ontem. À parte "colarei" excerto desta notícia pela imprensa diária nacional). Há pessoas e pessoas. Até o tempo parece ajudar, com os 30º (amanhã estão previstos 32º para a Zelândia, uma das províncias, tal como a Holanda, dos Países-Baixos). Isto fez-me, pelo menos por um dia, passar para trás das costas outras coisas. Hoje Utrecht sorriu-me e eu sorri-lhe de volta.
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Serão conhecidos hoje os vencedores dos "vitelos de ouro" do Festival de Cinema dos Países-Baixos. Estive há pouco minutos, enquanto esperava o meu autocarro, em frente do Teatro Municipal de Utrecht. Mesmo com este calor, era um ir e não vir de gente engalanada em roupagens para a cerimónia dos 'óscares' nacionais. Diga-se, em abono da verdade, que o 'vitelo', ou o que quizerem chamar-lhe , é uma escultura bem bonita. Não resisti a fotografar o exemplar em formato grande no jardim em frente ao teatro. Seja quem for que vença (não faço a mínima ideia que filmes, que actores, que realizadores...) o que interessa é que esta cidade com dezenas de milhares de estudantes universitários é a capital nacional de vários ramos das artes. Será que este detestável governo formado pelo conservadorismo minoritário apoiado pelo extrema-direita parlamentar poderá acabar com isto tudo. O povo neerlandês, a sua cultura, a sua criatividade, a sua tenacidade, dar-lhes-à a volta e mostrará a esses incultos que lhes é superior.
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O meu Porto perdeu. Não gostei. Servirá de lição?
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Morreu a escritora Hella Haasse. Nunca li nada dela. Vi-a, sim, na televisão e li já parte das cartas que lhe escreveu Nijholt, recentemente publicadas. Os jornais trazem a notícia da morte dela em enorme destaque. Há um até que a inclui nos Quatro Grandes. Com o devido respeito e humildade, sempre ouvira falar antes em Três Grandes da Literatura neerlandesa do século XX. Terá a morte, ou proximidade dela acrescentado-lhes mais um elemento? Nada disto tira valor à excelente qualidade literária de Hella Haasse, casualmente o autor de leitura preferida pela raínha Beatrix, Isto nada significando mais do que o facto em si mesmo. O valor está na sua escrita, na sua simplicidade, na sua cultura, na sua afabilidade, no seu humanismo transnacional.

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