Eaquecer é uma felicidade. Estou neste momento a ver e ouvir um programa sobre livros tendo com pessoa central Cees Noteboom. O programa, semanal, chama-se Boeken ("Livros"). A frase inicial deste texto não é dele. Contudo exprime algo que ele disse. Ele é o escritor por excelência de viagens. Condecorado pela sua qualidade literária, observadora e analista. Estadia no mundo inteiro. Carcorreia com tempo necessáro o grande mundo. Esquece muito do que vê, ouve e vive. Com excepção, naturalmente, das essências e do que de imediato escreve. Como ele disse, se não tivesse a faculdade de esquecer, não teria possibilidade de absorver nos mundos , conhecimentos, observações, conversas e vivências.
O nosso cérebro é um órgão excepcional, cujas faculdades diferem de pessoa para pessoa. Quem mais o utiliza, quem mais lê, quem mais profundamente pensa, quem mais o exercita, tem maiores possibilidades de poder manter as suas funções activas durante muitos mais anos. Naturalmente que há casos excepcionais, nos dois polos, embora seja conhecido dos neurocientistas que a partir de cerca dos quarenta e cinco anos de idade, na generalidade, as funções neurológicas ( ou seja o nosso cérebro) começa a curva descendente que, como disse, pode ser atrasada pelo exercício muito activo das mesmas.
A entrevista com Cees Noteboom, que entretanto terminou, não era nada sobre isto. Tomei somente como ponto de partida a frase em que ele dz esquecer-se de muitíssimas coisas, que dão lugar a outras novas. Ler, discutir em profundidade, pensar, filosofar, procurar o outro lado das nossas das nossas certezas, procurar fazê-lo com gente inteligente e/ou diferente é fundamental para que o cérebro continue jovem, chamemos-lhe assim. Não há que ter receio das mudanças que por que passamos. A base, o cerne, o "eu" (o"je", termo utilizado pelos psis actulizados) esse é imutável. É genético. Somos nós no mais profundo de nós mesmos. O resto, o que muda na vida, o que sofre influências, o mutável, esse é somente o "ego". O que pode deixar de ser, sem que nós, bem no fundo, deixemos de ser.

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