"A cidade onde Pina Bausch nunca existiu"
"Tiago Bartolomeu Costa, em Wuppertal"
"Pina Bausch (1940-2009) regressa a Portugal em em dois filmes ("Sonhos Dançados", sobre o seu trabalho com adolescentes, e "Pina", a homenagem que Wim Wenders lhe fez, a três dimensões). Mas na cidade onde sempre viveu há menos Pina do que nas suas peças. O estúdio era o único lugar onde ela realmente existia
Não há em Wuppertal mulheres em longos vestidos estampados, nem homens a cantar por gestos canções de amor. Não há cabelos esvoaçantes nem sapatos aprumados, nem ruas feitas de cravos, nem caudas de baleia numa esquina. Não há rochedos nos passeios nem hipopótamos nos riachos. Não há escarpas verdejantes, nem fios de microfone sem fim, nem homens e mulheres quase suspensos, quase a voar. Não há pessoas que se dirijam a nós para nos levarem a dançar, ou para nos erguerem em braços pelo palco. Não se ouve Alfredo Marceneiro, nem K.D. Lang, nem Purcell, nem Caetano Veloso. Ouve-se o vento. E, muitas vezes, o Schwebebahn, o monocarril que liga a cidade. (...) "
(Lido em: Ípsilon, 4 de maio de 2011)

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