Há tempos que os 'media' dedicam horas e horas a um casamento entre um homem e uma mulher. Num programa de ontem na CNN dizia-se que o mesmo seria visto em directo em todo o mundo por 2 biliões de pessoas.
O'circo' da imprensa montado num parque no centro de Londres, incluindo 500 km de cabos, seria o maior de toda a história (escrevo com minúsculas, pois não me parece esta estória - com 'e' brasileiro - não merecer mais do que isso). Inclusivamente o excelente Piers Morgan, acompanhado por Anderson Cooper e outros corifeus da CNN, estarão presentes. Piers Morgan já lá está há dias em directo falando, falando, falando (ele que tem uma excelente capacidade de síntese e de perguntas e comentários 'to the point' há uns 2 dias perdeu tempo criticando (imaginem!) a falta de educação da sogra do noivo por esta, assistindo a uma parada militar, estar a mascar uma pastilha elástica. Gosh!!! Estarão maluquinhos?
E que dizer daqueles masoquistas que enfrentam desde há dias o frio, a chata chuva londrina(conhecida por 'de molha tolos'), a incomodidade (como é que farão quando tiverem vontade de fazer chichi ou cócó?), para garantirem um lugar na primeira fila e para o resto da vida se poderem gabarem perante os vizinhos, na mercearia ou no cabeleireiro,de terem visto dito carro carro passar com duas pessoas lá dentro e estas, imaginem! acenaram precisamente para eles? Eestes dois, espertalhãos actores, devem divertir-se da estupidez dos súbitos masoquistas e fazer contas ao 'money, money, que isto rende ao país que lhes paga o sustento; certamente que não estão com pressa pelo deitar, pois isso de noite de núpcias para eles, que já tiveram meses de cama em comum, nada tem de novo,
Há talvez uma justificação desculpável para este 'nonsense' colectivo. No meio de um mundo em desvario, ao mesmo tempo que milhares de pessoas são assassinadas por tiranos, muitas outras exploradas por humanos desumanos, outras feitas em tiras por bombas e quejandos, as as pessoas sentem necessidade de, por uns dias ou horas que sejam, se libertarem da realidade dura e perversa e entrarem no divertimento de uma história de fadas que elas próprias fabricam como sendo de mil e umas noites.

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