Não escrevo sobre fotos de minha autoria. Por várias razões. Uma delas, a principal, é que cada criação, seja foto, livro, música, filme, deve falar por si própria. Deve realizar-se no sentimento, pensamento ou atitude que provoque no espectador. Em total liberdade. Sem muletas condicionantes. A outra razão, para além da preguiça em escrever, prende-se com o facto de a minha visão (não digo interpretação, pois a mairia das fotos que crio não partem da vontade de uma mensagem, mas de um simples necessidade nata de criar, de ver algo à minha maneira, associada ao prazer de naquele momento o fazer) não ser sempre igual. Varia com o tempo e com as circunstâncias. Não me alongarei mais sobre isto. Já um dia escrevi o que sobre isto penso em prefácio a um livro de Fotografia em Português (ou terá sido introdução? É que havia dois textos escritos para a mesma finalidade. Um que me fora pedido, o outro que foi enviado pelo Gerard Castelo-Lopes, infelizmente recém-falecido em Paris. Com a minha concordância, foram publocados ambos, um como Prefácio o outro como Introdução).
Mas voltemos ao discurso inicial. Um exemplo claro do qe disse é esta foto aqui ontem colocada. Lembro-me onde a mesma aconteceu. No entanto, ao colocá-la a seguir a um texto de um livro em neerlandês sobre impressões sobre o Brasil, em que, ainda por cima se fala da Baía ("mátria" da deusa do mar), a mesma assume dentro de mim uma dimensão diferente do local e do momento em que a criei. A foto é a mesma. Um dos sentimentos que em mim provoca é que difere. Se não houvesse esse texto, tenho a impressão que seria tão somente um sentimento estético. Para além do que a realidade externa a ela do mar sempre em mim causa. Seja onde for. Fora ou dentro da outra realidade, que é a fotográfica,

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