"Esta concepção da poesia como "Poesia Pura", como entidade autónoma, auto-referenciada e "despersonalizada", objectiva e não subjectiva, parece-nos, no entanto, ambígua, porquanto não surge como realidade totalmente independente da criação, mas sim a ela unida por uma profunda aliança. Esta é, de facto, a aliança que o poeta estabelece com o mundo através da palavra e das "correspondências" essenciais que ele próprio inconscientemente cria entre o ícone verbal e o universo. Paula Mendes Coelho define "Poesia Pura", a propósito de Mallarmé, como "a palavra em vez do mundo, a palavra surgindo como real", concluindo com a dúvida acerca da "concretização de tal conceito"."
HELENA MALHEIRO
(Helena Malheiro, O Enigma de Sophia, Oficina do Livro, Alfragide, 2008)

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