Durante a maior parte da minha vida sempre fui uma espécie de andarilho. Em o ser aprende-se inacreditavelmente muito. Nas situações, nas realidades, nos costumes e culturais diferentes, nas pessoas. Isso não quer dizer que, geralmente, não goste de estar onde estou. Quase sempre gosto, ao contrário de muita gente.
Partir tem, no entanto, duas componentes opostas: ir encontrar novas situações que me vão enriquecer, mas também deixar o bem estar presente e quebrar por tempos, por vezes longos, a vida habitual e o contacto directo com pessoas de quem se gosta, a quem reciprocamente nos habituámos. Nos últimos anos, porém, esta componente menos agradável de partir tem-se vindo a acentuar. Partir de seja qual for o local onde se esteja. Mesmo para aquele a que semanas ou meses mais tarde venha a sentir essa mesma não-vontade de voltar a partir. É que, normalmente, gosto de estar onde estou. Embora continue andarilho, Ou como uma Senhora (no sentido completo da palavra) na cidadezinha brasileira de Baralha me disse: você é um vagamundo. Gostei da palavra.
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Hoje tenho passado o dia com sono. Apesar dos vários cafés que fiz e tenho vindo a ingerir. É que com a diferença horária entre esta Europa do Norte e os EUA, programas televisivos há que nos obrigam, se merecem ser vistos, a noitadas que se tornam praticamente madrugadas. A noite passada aconteceu de novo. Não me "consegui" desprender do conteúdo humano, exemplar, da vida e acção dos dez nomeados para "herois do ano da CNN". Que bom que haja televisões ou media que dêm importância devida a estes exemplos fabulosos. E reais. Exemplares. Infelizmente poucos.
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A propósito disto vêm-me à memória as atitudes de dois dos maiores milionários do mundo: Bill gates e warren Buffett. Podiam, como o ficcionado "Tio Patinhas", continuar a nadar na piscina cada vez maior da sua fortuna. Fizeram o contrário. pensaram nos problemas humanos dos que, sem culpa própria, sofrem no mundo. E doaram para causas concretas substancial parte das suas fortunas pessoais. Poder-se-á dizer: Ainda ficaram bilionários. O que é certo é que deram. o que até muitos governos não dão.
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Dentro ainda do assunto anterior, outro exemplo, embora de outro tipo e a outra escala. Este fim-de-semana é inaugurado em Amsterdam , muito provavelmente com a presença da raínha dos Países-Baixos, O DelaMare theater. Mais um, dir-se-ia. Errado! No mesmo local havia um antigo teatro em degradação total. Há anos o Joop Van der Ende (conhecidíssimo empresário de espectáculos) e sua mulher Janine, compraram referido edifício e, apesar de todas as burocracias devido ao inusitado, resolveram oferecer um novo teatro à cidade de Amsterdam (dar mesmo! Sem nenhuma contrapartida, ou posterior influência, total e completamente pago por dinheiro privado deles - com um custo total entre de 65 milhões de euros .
curiosidade: Joop van der Eende nasceu numa família muito pobre de Amsterdam e hoje é um dos mais importantes productores de teatro do mundo. Um homem que desde cedo,começou poro ser aorendiz de carpinteiro e muito jobem montou, sozinho, uma minúscula productota de espectaculos de rua.) , Para este teatro - por especialistas já considerado como o mais perfeito do mundo, e perfeição é o substantio mais próprio a tudo o que Joop van der eende faz - não escolheram o nome deles, mas sim, stão simplesmente: DelaMare Theater.
Totalmente completo, com tudo, incluídos os dois espectáculos inaugurais. Arrasaram tudo o que existia e com arquitecto e especialistas de primeira água, acompanhados pessoal e frequentemente no local pelo casal Van der Ende, construíram um novo teatro de duas salas de espectáculos. com tudo o que de melhor e mais actual existe no mundo do espectáculo.
Dois pequenos exemplos: As cadeiras são excelentes, mas propositadamente não excessivamente cómodas, pois o espectador está num teatro e por isso deve estar acordadamente a assistir ao que se passa no palco e não enterrado na comodidade passiva e sonífera de um cadeirão. Ao contrário do que é habitual e inovativamente, o ar condicionado não é geral. cada cadeira, individualmente, tem por baixo dela a sua saída própria de ar condicionado. Assim, conforme o que se passa na cena o ar condicionado é regulado noutra sala, por computador ,para mais frio ou mais quem. E etc.). Chinesice? Não. Tudo foi pensado e construído para a maximalização da recepção pelo espectador da arte que acontece no palco.
Van der Ende sabe bem do que trata. Foi ele, conjuntamente com John De Mol, seu ex-associado, que criaram e internacionalizaram a empresa Endemol, mais tarde vendida. neste momento o casal é proprietário exclusivo de 28 teatros em vários continentes, entre eles tetatros dos mais famosos do mundo. em Berlim, madrid, Paris, Nova York, Roma, etc..Do muito que ele e a esposa Janine vn der Eende possuem (aintiga sua colaboradora de produção) têm, através da Fundação com o seu nome para bem do mundo da arte e cultura e da da criatividade) . este teatro é somente um dos exemplos, mas talvez o que, até agora, mais lhes "tocou" e apaixonou realizar.
O mais belo do mundo, como hoje um especialista o classificou na inauguração com a presença da Raínha Beatrix dos Países-Baixos.

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