“O amigo de Mário Cesariny de Vasconcelos que aceitou colaborar, sob anonimato, neste trabalho, sublinha que o poeta “achava que a democracia era uma coisa bestial, mas era uma chatice para a noite de engate [homossexual] clandestino.” E frisa: ”Cesariny nunca aguentou bem a normalização da homossexualidade.
Ele tinha ideia de que a capacidade subversiva e criativa da homossexualidade se destrói com a normalização. Para Cesariny, no seu sistema de valores, pagar esse preço não compensava.” E explica que, nesse mundo da homossexualidade clássica do século XX, que “Pasolini também tem, é um mundo em que homossexualidade não é pecado, é o momento do prazer e da transgressão, o mundo de duas classes. O mundo dos rapazes que vêm da província e têm protecção e dinheiro dos homossexuais com posição social e posses.””
SÃO JOSÉ ALMEIDA
(São José Almeida, Homosexualidade no Estado Novo, Sextante Editora, Porto, 2010)

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