“A interrogação angustiada,
- Sou um psicopata, não sou?
Estranho psicopata, aquele – a suar em bica e a torcer os dedos, a maçã-de-adão parecendo presa em elevador descontrolado, ligando a palidez da face à respiração caótica do peito. O psicanalista recordou mestre parisience: “Sobre o amor, Freud aconselhava os poetas e apaixonados e não a ciência. Porque os artistas intuem o que descobrimos arduamente. Ora escutem como Durrell, na minha opinião um romancista menor,define maravilhosamente a psicopatia: “Ela saltitava de um lado para o outro sem se incomodar a reflectir sobre qualquer sofrimento que pudesse estar a causar.” Voilà!”
JÚLIO MACHADO VAZ
(Júlio Machado Vaz, com Ana Mesquita e António Macedo, O Amor é..., Texto Editores, Lisboa, 2007)

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