“Já demos conta de um exemplo de bárbaros europeus por uma irradiação de intensidade destrutiva. Vimos os celtas exterminados, submetidos ou assimilados, depois de um transitório surto de energia em resposta a um estímulo recebido por intermédio dos etruscos. Comparámos a queda dos celtas com o relativo êxito dos teutões, resistindo ao choque helénico.
Notámos que a onda teutónica de bárbaros europeus, diferente da céltica, resistiu à desintegração do helenismo, a ponto de os teutões tomarem lugar no proletariado externo do mundo helénico, e dar o coup de grâce à sociedade helénica em transes de morte.
Comparada com a débacle céltica, a reacção teutónica foi um êxito; mas esta, comparada com a acaica, não passava de uma vitória pírrica. Eles vinham à hora da morte da sociedade helénica apenas para receber-lhe o último suspiro do proletariado rival, herdeiro da sociedade defunta.
O vencedor não era o guerreiro teutónico mas a Igreja Católica, em que se incorporara o proletariado interno da sociedade helénica. Antes do fim do século XVII, cada uma das hordas arianas ou teutónicas pagãs, entradas no solo romano, ou se convertera ao Catolicismo ou desaparecera. (...)”
ARNOLD TOYNBEE
(Arnold Toynbee, Um Estudo de História, 2ª edição, Editora Ulisseia, Lisboa, 1969)

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