“O motor parou diante de uma porta gradeada, e imediatamente o bater do mar, muito próximo, preencheu o silêncio. Por fim, pouco a pouco, avançando no raio dos nossos faróis, por detrás de um jovem camarada prudente, que trazia uma lanterna eléctrica, apareceram uns sapatos brancos, umas calças pretas, um casaco de pijama de gola alta... A cabeça permanecia na sombra da noite. Vi alguns dos rostos em que devem exprimir-se vidas capitais; quase todos são rostos ausentes. Esperava, com algo mais do que curiosidade, essa máscara marcada por um dos últimos grandes destinos do mundo e que se deteve, ofuscada pela luz, à beira do farol.”
ANDRÉ MALRAUX
(João Francisco Vilhena, A Casa de Trotsky, in Papéis 97, Combate, Lisboa, 1996)

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