Terei conhecido o At num dos primeiros meses de 1975. O conhecimento foi-se tornando, pouco a pouco, passo a passo, mais adequado à personalidade de cada um de nós, a ponto de nos últimos quinze anos se ter tornado em forte e inabalável amizade.
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Neste último período, por vezes, lhe pedi, assim como à Marijke, mulher e esposa da sua vida, a opinião e conselho sobre algumas decisões mais complicadas, ou difíceis, a tomar. É que o At tem essa facilidade de pensar sempre de uma forma extremamente racional, objectiva, matemática. Quase que fria, dá a impressão. Não tivesse ele sido professor de Matemática, a par de Inglês! Que me lembre, acabei sempre por seguir os seus conselhos. Pelo menos, a maioria mais importante. E sempre isso me tem sido muito útil.
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A nossa amizade nasceu nesse diálogo entre duas pessoas racionais, mesmo que muito diferentes uma da outra. Amizade sedimentada no permanente aprofundamento do conhecimento mútuo. Por vezes a sua racionalidade e objectividade soava a rispidez. Era quando a Marijke, educadissimamente, intervinha. Com a subtileza de quem, como ela, pratica pintura e piano. Digo era, pois infelizmente, segundo o que hoje me disse o Ruud (seu cunhado), ao telefone, o At já não tem nenhuma da força física e da incrível vitalidade que sempre o caracterizavam.
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O At tornou-se ao longos dos anos, por palavras e actos bem concretos, um dos meus mais seguros amigos.
O At está muitíssimo doente. Regressa hoje a sua casa. Não lhe faltará nestes tempos muito, muito difíceis, o amor e carinho da Marijke, dos filhos e dos netos. E do Ruud, indubitavelmente. E de mim, infelizmente não lá, em pensamento frequente.

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