“Há infinitamente mais, mas o facto de você o desejar serve de obstáculo a atingi-lo. O desejo é como um muro que o rodeia; a ausência de desejo é como uma porta.
Esta é uma das leis mais paradoxais, mas mais fundamentais da vida: se desejar, não vai conseguir aquilo que deseja, mas, se deixar de desejar, tê-lo-á.
Jesus diz: busca e encontrarás. Buda diz: não busques, ou deixarás passar aquilo porque buscas. Jesus diz: pede e ser-te-á dado. Buda diz: não peças, senão nunca te será dado aquilo que pedes. Jesus diz: basta bateres à porta para que ela se abra. Buda diz: espera, repara... a porta nem sempre está fechada. Se bateres, isso apenas revela que estás a bater noutro lado – muito possivelmente num muro – porque a porta está sempre aberta.
Jesus é tão iluminado quanto Buda – porque ninguém é mais ou menos iluminado do que outra pessoa. Então, porque existe esta diferença? Ela deve-se ao tipo de pessoas a quem Jesus se dirigia. Ele dirigia-se a pessoas que não estavam iniciadas nos mistérios da vida. Buda dirigia-se a pessoas totalmente diferentes – aos iniciados, aos adeptos, àqueles que compreendiam os paradoxos. O paradoxal é o misterioso.
Você diz que a sua vida lhe parece vazia e desprovida de sentido. Só o parece porque você está constantemente a ansiar por mais. Se deixar de ansiar, vai sofrer uma transformação radical. O vazio desaparece no momento em que você deixa de ansiar por mais.”
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OSHO
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(Osho “Alegria – a felicidade interior”, Pergaminho, Cascais, 2004)
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