Devo confessar que o presidente da República Francesa me está a espantar. Antes da sua eleição, não era, de forma nenhuma, seu adepto.
A primeira surpresa veio da composição do seu governo, com Kouchner como ministro dos Negócios Estrangeiros. Para quem não sabe ele foi o fundador e durante muitos anos o dinamizador da conhecidíssima ONG francesa Médicos Sem Fronteiras. Como é que o “reaccionário” Sarko escolhia este socialista assumido para um cargo tão importante? As surpresas têm sido muitas.
Pobre primeiro-ministro, que não deve ter quase nada para fazer, já que Sarkozy, como um foguete turbo, parece fazer o trabalho dos dois. A Europa está já a aproveitar a lição de dinamismo, de inovação e de modernidade deste presidente francês que tudo muda a uma velocidade e profundidade estonteante. É de gente assim de que precisamos. Política feita com as mangas arregaçadas e a cabeça a funcionar a todo o vapor, sem preconceitos nacionalistas ou sectários.
Se é certo que há coisas em que ele pode não ter a razão completa, como no caso de querer que o Banco Central Europeu desvalorize o Euro, pois está no seu máximo valor de sempre face ao dólar (1.38), o que prejudica as exportações europeias, o certo é que este valor corresponde a um dinamismo da economia da União Europeia, muito melhor estructurada do que a americana (há cerca de 4 ou 5 anos ouvi na tv num quarto de hotel em Fortaleza uma entrevista de um dos maiores cientistas económicos britânicos dizer isto mesmo e na altura fiquei impressionado com as suas palavras e explicitações. A Globo transmitiu essa entrevista de 40 minutos três vezes na mesma semana, dada a importância dele e das suas declarações) e, claro, sem aquele texano ridículo que só estraga mais o mundo em cada dia que passa.
Neste “velho” (lembram-se de quem disse isto, referindo-se a vários países anti-guerra do Iraque?) continente a Europa cada vez dá mais passos para a sua forte união. Que bom, para nós europeus e para os povos livres do mundo.
[Ao meu irmão deve dar gozo ler isto em Marrakech, pois é o reconhecimento de que ele tinha razão quanto a Sarkozy...]

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