“Porque é que a dança é tão importante?”
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- “Acho que tem esta capacidade de dizer que o corpo não é só código e convenção social, não é só o que esperamos que seja, não é só um corpo cultural. É um volume no espaço, um movimento, uma imobilidade, um ecrã que reflecte a tua própria inversão. Não é só um homem ou uma mulher, um rei ou uma rainha... Não é só uma visão social, convencional e cultural. E é um perigo, mesmo do ponto de vista político, perpetuar esta crença de que o que temos é pré-adquirido. É isso que dá as incompreensões e na não aceitação da diferença. Do ponto de vista político, dança tem um papel fantástico, que é acordar um conjunto de percepções do mundo, quer como espectador olhando para os outros corpos, quer como corpo que é olhado e que se olha a si próprio. Acorda um conjunto de instrumentos que temos mas que não são utilizados. Culpa de uma série de outras artes, sobretudo as artes mais de massa, mais ligadas à televisão, que nos levam para uma formatação e confirmação do adquirido. É a praga do século. É isso que me fascina, esta hipótese que tenho de descobrir e reinventar o mundo desde o zero, todos os dias, a cada momento que olho para uma pessoa.”
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(Cláudia Galhos entrevista João Fiadeiro, in: “Expresso – Actual”, 5 de Maio 2007)
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Fui operado faz amanhã uma semana. Já há anos que o desejava ser, mas os dois cirurgiões do Centro Médico Universitário de Utrecht que então , mais do que uma vez consultei, eram contra pois nos Países-Baixos não se opera quando uma pessoa tem pedras na vesícula. Antigamente sim. Agora somente quando isso causa alteração no funcionamento do fígado, o que não era então o caso. Desta vez foi e, para ser mais rápido, escolhi fazer a dita cuja num outro hospital. Fabuloso, tal como o UMC. Tive que chegar somente duas horas antes da operação e no dia seguinte menos de 24 horas de ter dado entrada no dito hospital, saía pelo meu pé, sem nenhuma ajuda, nem dreno qualquer, e subi, inclusivamente, os degraus de dois andares na casa dos amigos (grandes, grandes amigos) onde desde então tenho estado a recuperar (dar tempo a que a cicatrização interna se faça).
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Ontem Já fui experimentar forças com o R. num passeio a pé até Reijnauwen, ao longo de paisagem idílica de Natureza , até ao conhecido esplanada e restaurante à borda do rio. Hoje vou pela primeira vez tentar tomar o autocarro para a cidade e ir pôr isto na internet (propositadamente não tenho pedido para o fazer a partir desta casa onde estou a escrever isto no meu laptop para não sobrecarregar ainda mais a extraordinária maneira como tenho sido tratado por estes amigos de há mais de 30 anos). Daí a ausência de textos ou fotos minhas há quase uma semana neste bloguezinho pessoal.
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Várias vezes tive vontade de comentar aqui, para logo que pudesse pôr no Amistad tanta coisa que se passou no mundo nestes dias, mas acabei por decidir não o fazer. O mundo é cada dia uma caixa de surpresas e, assim sendo, não faltam, ora felizmente, ora infelizmente, assuntos para comentar ou que me atraem a atenção e a vontade de a eles reagir. Para quê? Para ser coerente comigo mesmo. Para não ficar passivo perante o mundo. Para até deixar para mais tarde o testemunho do que senti, do que pensei, do que me apaixonou, do que me revoltou até. Apesar de saber o número considerável de leitores (incluindo os que por não saberem o português só podem ver a s fotos) que diariamente utilizam o Amistad, bastaria um que fosse para este "trabalho" ter e fazer sentido para mim. E por isso o faço, com seriedade e prazer.
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