A vida é feita de mudança. Não me recordo quem disse ou escreveu isto. (Aqui vem ao de cima a minha proverbial dificuldade em fixar nomes e datas. Não há um único, um único mesmo, poema que saiba ou tenha sabido integralmente de cor. Nem meus. Nem sequer a letra de uma única canção. Nem mesmo um hino nacional. Incluindo o luso. Imagino que pessoas se perguntarão como pude ser professor universitário de letras numa das melhores faculdades europeias. De análise literária, não de história da literatura. De ciência literária e não de ciência da memória. Um dia Einstein (arrisco-me a que me julguem de convencido, peneirento, sei lá o quê?, ao citar isto, mas é verdade, que hei-de fazer?, Einstein disse que procurava não gastar espaço no seu cérebro com aquilo que podia consultar numa enciclopédia. Claro que lendo isto, concordei inteiramente com ele. Não é por isso que tenho falta de memória específica para nomes e datas, ela vem de antes dessa leitura, mas que deu algum conforto, lá isso deu. A frase de Einstein reforçou dentro de mim a prioridade ao pensamento, à criatividade, com os elementos à nossa disposição). Mas voltemos ao que ia dizendo, pois senão pareço um romancista com sub-sub-sub capítulos, o que em conversas, por vezes me acontece – mea culpa!
Sendo a vida uma coisa não estática, evolutiva, assim me aconteceu esta semana. Depois de uns dias ocupadíssimos lá para os lados alencarinos, para utilizar adjectivo que aprendi esta semana de amiga do outro lado do Atlântico, chego aqui com uma auto-programação tão completa quase como a anterior. A diferença foram 20 horas de sono nas primeiras 26 horas europeias. Isso atirou para as urtigas a tal dita cuja pré-programação. Tenho-me deixado aqui ficar. Dando-me tempo para ir pondo em movimento esta máquina que é sem dúvida esta casa. Ao mesmo tempo, tenho-a gozado. Uma casa sente-se. Uma casa é, como já há bastante tempo escrevi, um casulo. Uma outra pele. Que nos protege, que nos deve, em princípio estimular, caso contrário não é a ideal, e, sobretudo, que devemos viver por dentro. É isso que tem acontecido. Com toda estas múltiplas e diversificadíssimas fontes de informação de todo o mundo em directo à minha disposição. E a disponibilidade para os meus amigos deste extremo sudoeste da União Européia. Até, pela primeira vez desde há três meses, com dois copos (não mais do que isso) de bom vinho tinto alentejano ao jantar.

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