Guerreiro Ramos, em estudo dos anos 50, comenta o caráter de descoberta individual que envolve o processo de assunção da negritude em termos estéticos. O autor coloca a discussão da cor do corpo em termos heurísticos, propondo a conscientização do negro de sua cor e da situação das relações raciais no contexto brasileiro. Para tanto, utiliza a idéia de “niger sun”:
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“Sou negro, identifico como meu corpo em que o meu eu está inserido, atribuo à sua cor a suscetibilidade de ser valorizada esteticamente e considero minha condição étnica como um dos suportes do meu orgulho pessoal. (…) Então, converto o “branco” brasileiro, sôfrego de identificação com o padrão estético europeu, num caso de patologia social. Então passo a considerar o preto brasileiro, ávido de embranquecer se embaraçando com a sua própria pele, também como ser psicologicamente dividido. Então, descobre-se-me a legitimidade de elaborar uma estética social de que seja um ingrediente positivo a cor negra. (…) A condição do negro no Brasil só é sociologicamente problemática em decorrência da alienação estética do próprio negro e da hipercorreção estética do Brasil, ávido de identificação como o europeu.”
PATRÍCIA FARIAS
(Patrícia Farias. “Corpo e classificação de cor numa praia carioca”. Em: Mirian Goldenberg (org.), “Nu e Vestido”, Record, Rio de Janeiro, 2002).

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