"Arte Plumária"
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"Plumária é um termo que designa artefatos confeccionados a partir de penas de aves e utilizadas, sobretudo como adorno corporal pelos índios brasileiros. Os produtos da atividade plumária (…) foram os que mais impressionaram os europeus que aqui aportaram na época do Descobrimento. De fato, a arte plumária é uma das manifestações artísticas mais expressivas dos índios brasileiros (…) [existem] trabalhos específicos sobre a arte plumária referentes aos índios Urubu-Kaapor, Bororo, Tukano, Kayapó, Wayana, Kayabi, Wai-Wai e do Alto Xingu, que abordaram aspectos técnicos, estilísticos e de significados sócio-cultural.
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Na confecção de artefatos plumários, a matéria-prima é basicamente mesma para todos os grupos tribais brasileiros. Contudo, muitas tribos desenvolveram estilos próprios, caracterizados por atributos peculiares como forma, associação de materiais, combinação de cores, procedimento técnico o que nos permite identificar a sua proveniência com bastante precisão (…).
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No Brasil indígena verificam-se pelo menos dois grandes estilos plumários. O primeiro congrega penas longas associadas a suportes rígidos que conferem um aspecto grandioso e monumental ao artefato. Neste grupo estão incluídos os Bororo, Karajá, Tapirapé, Kayapó, Tiryó, Aparai e Wai-Wai, entre outros.
O segundo caracteriza-se por penas dispostas com requinte em suportes flexíveis de aspecto primoroso e delicado. Seus mais legítimos representantes são os Munduruku, os Urubu-Kaapor e outros grupos Tupi. Ainda alguns grupos comporiam um terceiro estilo, como os Tukano, já que seus adornos são dotados de qualidade das duas grandes divisões.
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Os adornos plumários não servem apenas para enfeitar o corpo, e o elemento plumário aplicado a outras superfícies, como armas, instrumentos musicais, máscaras, não pode ser visto como atributo meramente decorativo. Eles podem ser considerados verdadeiros códigos, que transmitem, numa linguagem não verbal, mensagens sobre sexo, idade, filiação clânica, posição social, importância cerimonial, cargo político e grau de prestígio de seus portadores.
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Além de enfeites, portanto, são símbolos e, por isso, usados nos ritos e cerimônias, campo simbólico por excelência das culturas humanas. Entre os Kaxináwa, por exemplo, há uma íntima associação entre certos artefatos plumários e a morte: um tipo de diadema de cabeça e um tipo de instrumento musical de sopro são especialmente feito para representar os mortos.”
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SONIA DORTA E LÚCIA VAN VELTHEM
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(Sonia Dorta e Lúcia Van Velthem, em: “Arte Plumária do Brasil, 1982).
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