“CASA A MEIO”
“Tiro lume das gavetas. É o primeiro dia
de outono. E os anos que estão no fundo.
Antes não era eu. Era a casa em construção.
Eu antes de mim. Agora desmantelo o verão,
Os vestidos que voam, os pés nus ao lado do vestido.
O tempo perde-se na mudança de estações
e nesta perda alguém existe em mim.
Uma voz ri-se no fundo do armário.
O sol tão baixo, na última gaveta.”
ROSA ALICE BRANCO
(Marcelo Rebelo de Sousa, Os Poemas da Minha Vida, Público, Lisboa, 2005)
É com enorme alegria que coloco este poema aqui hoje. Pelo que o poema diz. Sobretudo aqui e agora. Pelas saudades que tenho da Rosa Alice Branco. Há anos que não nos vemos. A última vez foi numa conferência que ela pronunciou em minha casa sobre a obra do Mestre Júlio Resende aquando da inauguração de uma individual dele lá e na sua presença.
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