“Segundo Ernst Kris (autor do livro “Psicoanálisis del arte y del artista”), na inspiração há uma mudança súbita de estado de consciência, ocorrem idéias, visões, concepções espontâneas. É um estado que se apodera do indivíduo durante certo lapso de tempo, com perda parcial de consciência. Assim como Jung, ele vê nesse estado uma regressão e uma comunicação via inconsciente. No entanto, o ego retoma sua função e conduz o processo na atividade criadora. Seria essa a distinção básica entre genialidade e loucura, o paradoxo da possessão inspirada .
O psicótico é aquele tomado por sua subjetividade, sem espaço fora da criação fantasmagórica, sem poder associar-se a sua criação. Faltam-lhe a distância e a diferenciação que possibilitem a existência de um novo fora de si, sendo incapaz de reconhecer seu produto para poder trabalhar com ele. Poucos artistas conseguiram sustentar obras de qualidade no estado de psicose, pois a atividade artística exige de seu criador esse diálogo constante entre inspiração e elaboração e execução – e o suportar da tensão que se produz. Van Gogh e Schumann não produziam durante seus surtos; Camille Claudel, Nietzsche e Nyjinski calaram seus gestos e vozes, e a maioria de artistas loucos mostra estereotipia. “
LILIANA LIVIANO WAHBA
(Lido em: Liliana Liviano Wahba, Criatividade – inspiração, posseção e arte, Viver Mente e Cérebro, edição especial nº 2, coleção memórias da psicanálise – Jung, a psicologia analítica e o resgate do sagrado)
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