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“Divulgação”
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“O Movimento Madi começou na década de 40, reunindo uma meia dúzia de artistas. Hoje, são mais de mil espalhados pelo mundo”
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“MUSEU MADI SOBRAL”
”Diálogo com o mundo”
”O artista plástico José Guedes foi responsável para apresentar os artistas do movimento Madi para as autoridades de Sobral. Agora, com o Museu consumado, ele assume sua direção, depois de aceitar convite da Secretaria de Cultura de Sobral. “A unidade de Sobral vai interagir com uma rede de museus pelo mundo”, antecipa Guedes. Para Jaildo Marinho, figura determinante para a vinda do Museu para Sobral, a unidade brasileira do Madi tem a importância de abrir novas possibilidades para o crescimento do movimento no país. “A primeira porta foi aberta em 1953, quando Arden Quin fez uma conferência na Bienal de São Paulo”. Jaildo Marinho, pernambucano radicado em Paris desde 93, é um dos dois representantes brasileiros no movimento Madi. O outro é o fluminense João Carlos Galvão.
A semente do Museu Madi para a cidade cearense começou a germinar com o Salão Sobral, hoje o único do Estado de âmbito nacional. Foi em uma das mostras temáticas do Salão que se entrou em contato com a arte Madi. Para Clodoveu Arruda, o Museu veio na seqüência, chancelado por José Guedes. “E a proposta do novo espaço é expressar a mesma orientação do Salão Sobral, funcionando não só como área de contemplação, mas também de formação cultural. Assim como o Salão, o objetivo do museu é transcender as fronteiras do município”, comenta.
O movimento Madi começou na década de 40, reunindo uma meia dúzia de artistas. Hoje, são mais de mil espalhados pelo mundo. “Este grupo adota uma linha bem independente no cenário artístico. O trabalho Madi tem rigorosa elaboração intelectual e não aceita os jargões usados na arte contemporânea”, explica José Guedes. O Movimento Madi desconstruiu a forma tradicional da arte geométrica, quebrando a ditadura dos ângulos retos. Segundo o uruguaio Bolívar, um dos principais nomes do movimento, o Madi proclama a necessidade de uma nova arte, que possa dar novas possibilidades e abrir caminhos que tenham mais do que comércio, política e consumo.
O Movimento Madi iniciou em 1944, quando Carmelo Arden Quin editou, em Buenos Aires, com a colaboração de outros artistas, a revista “Arturo”. Apenas uma edição foi publicada, o bastante para formalizar o surgimento de um novo movimento. Em 1946, a denominação Madi passou a ser utilizada. O nome não tem uma origem definida. Segundo José Guedes, pode ter derivado de Materialismo Dialético, Marxismo Dialético, das iniciais de quatro palavras - movimento, abstração, dimensão, invenção - ou simplesmente retirado do nome de Carmelo Arden Quin.
Os artistas do movimento, ainda segundo Guedes, utilizaram-se, com total liberdade, das vanguarda européias, como o dadaísmo, o construtivismo russo e o neo-plasticismo. “Arden Quin criou uma série chamada ´Cosmópolis´, em que elementos da escultura eram incorporados à pintura. Produziu também uma série de construções articuladas que, na parede, permitiam a interferência do espectador, que criava novas relações formais e que deflagravam, a partir da introdução do movimento na obra de arte, uma série de variáveis inaugurais”. As explicações de Guedes são apenas uma das maneiras de conhecer a arte Madi. A outra, mais interessante, é visitando o Museu.
SERVIÇO: Inauguração do Museu Madi Sobral, hoje, às 18 horas. Endereço: calçadão da margem esquerda do Rio Acaraú, s/n. “
(Lido em: Diário do Nordeste, 2005-07-05, Fortaleza)
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