Albufeira é uma contradição. Para muitos um quase inferno de betão, Para outros, a mais badalada cidade turística do país. Para outros, como eu, sobretudo o contraste entre o que foi, o que é e o que poderia e deveria ter sido e ser. Acabo de passar lá uns dias. Não como turista, pois aí cheguei a viver e, quando aí, sinto-me em casa. Pode parecer contraditório, mas, como dizia, a contradição faz parte do local. Posso abstrair-me do que foi, do que poderia ter sido e, sem repudiar isso, tirar o melhor do que é. Como? Semelhantemente ao que durante anos fiz quando vivia na Alemanha e nos Países Baixos. Evitar olhar o que me desagradava. Nesses países era, sobretudo o cinzento do céu, algo que acinzentava a minha alma. Solução? Não olhava para cima. Limitava o meu olhar até ao nível horizontal. Não vendo o céu cinzento, preservava-.me e olhava para o que esses países tinham e têm de bom. Em Albufeira, a metodologia é a mesma. O que é diferente é o direccionamento do olhar. Olha-se exactamente para o azul do céu, para o matizado verde e azul do mar que o confina. De vez em quando, para uma casa de taipa ainda sobrada do passado ou para outras, raras em número e de raríssima beleza, que o amor à arquitectura em terra faz hoje dela crescer, em contraponto à betonada nacional por baixo do branco omnipresente. Em complemento a isso, o olhar horizontaliza-se, de quando em vez, para as pessoas, essas também raríssimas, de quem sabemos valerem a excepção.
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