Sempre gostei de coisas belas. De pessoas belas ou bonitas. Não, não me refiro aqui à beleza interior. Isso é algo de diferente. Para mim muitíssimo mais importante. Talvez a única beleza que verdadeiramente me interessa.
No entanto hoje e agora referir-me-ei tão somente à beleza externa, à beleza física. Ao prazer que em nós provoca a visão de um rosto, mesmo que desconhecido. O padrão meu não foge ao habitual. Na maioria dos casos é mais fácil achar-se bela uma pessoa em quem o tempo não tenha criado os seus efeitos. Assim, refiro-me aqui a um conceito de beleza que acaba quase sempre por se aliar a padrões de frescura física. De expressão de vitalidade. Vinte anos atrás esta maneira de olhar as pessoas no que se refere ao seu exterior, ao seu envelope, de que a publicidade e o marketing tanto uso e abuso fazem, sofreu, porém, um rombo.
Participava num grupo formado por pessoas de vários sectores etários. Os primeiros olhares tiveram indubitavelmente a ver com esse conceito de beleza. No entanto, à medida que o tempo foi passando, comecei lentamente a reparar numa senhora, já avó, cuja rosto inicialmente teria ficado excluído da minha atenção. Naquele rosto fui descobrindo, pouco a pouco, belezas encobertas. Surpreendido com isto, passei a fazer pequenos exercícios. Passei a pôr à prova ideias anteriormente adquiridas. Assim, sempre que viajava de comboio, o que acontecia frequentemente nessa altura, tentava descobrir em cada um dos rostos beleza que ultrapassasse um mero olhar. Tentava analisar ao pormenoir, centímetro a centímetro, lentamente, esses rostos. Queria descobrir e justificar o que neles me levava, ou não, a vê-los como belos.
A surpresa foi enorme. Na maioria deles havia muito mais beleza do que eu até então, aprioristicamente, havia imaginado poder haver. Não é exercício fácil. O resultado não destrói de todo critérios anteriores. Antes abre o leque de possibilidades de beleza. Abre e aumenta conceitos. Abre a nossa visão. Potencia momentos de felicidade. Para além de ser justo. Mais humano. Mais verdadeiro. E não custa nada.
É só saber olhar.
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