Li no SAPO a seguinte notícia da SIC (20040929) que, com a devida vénia, aqui reproduzo:
“Assaltos no Rio de Janeiro"
"Várias pessoas foram ontem atacadas e assaltadas na praia do Leblon, uma das mais famosas do Rio de Janeiro. Os assaltos foram feitos por um grupo de crianças e jovens."
"Em plena luz do dia, o grupo de cerca de 30 crianças e jovens chega à praia do Leblon. Uma das mais populares, no sul do Rio de Janeiro. Sem qualquer medo da eventual presença da Polícia, o grupo de miúdos de rua começa a agredir e a roubar os adultos que estão na praia. As imagens foram recolhidas por um vídeo amador e mostram os jovens a assaltar várias pessoas. A polícia chegou pouco depois e, apesar dos interrogatórios, não fez qualquer detenção. Depois dos agentes abandonarem o local, os roubos na praia continuaram e não há registo de nenhuma queixa apresentada pelas vítimas. A violência e os assaltos nas praias do Rio de Janeiro têm aumentado nos últimos meses e nesta semana pelo menos nove pessoas morreram num confronto entre gangs. Todos os anos 45 mil brasileiros são assassinados. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o país com a mais elevada taxa de criminalidade, com uma média de uma pessoa morta em cada 12 minutos.”
Este método de assalto em grupo é denominado no Brasil por “arrastão”. Não se limita ao Rio.
No dia 16 de Agosto passado o diário fortalecense O Povo dedicava metade da sua página 3 a uma notícia intitulada “Arrastão na Praia do Futuro”. Acompanhada de uma foto de Felipe Abud (onde se vê claramente o que a sua legenda descreve: “Uma família de turistas foi alvo da ação de rapazes que reaizaram um arrastão na Praia do Futuro”) a notícia descreve com pormenores assustadores o arrastão da véspera naquela que é a maior e mais frequentada praia de Fortaleza, onde, por sinal, existe uma unidade hoteleira de luxo pertencente a um grupo português.
Alguns excertos:
“..., aproximadamente 50 jovens – alguns aparentemente com menos de 10 anos de idade – promoveram pânico (...). Armados com paus, pedras, cacos de vidro, eles foram levando tudo pela frente. Por todos os lados, mulheres corriam com crianças ao colo, senhoras idosas caiam na areia fugindo do tumulto e muitos gritos. Os arrastões vinham em todos os sentidos, promovidos por gangues. Algumas brigavam entre si, o que provocava uma “chuva” de pedras, cocos e paus. A ação dos marginais teve como um dos alvos uma família de turistas. (...) Depois de ter tomado relógio e bolsa, com uma vara de aproximadamente um metro e meio, um dos ladrões ainda tacou uma paulada na cabeça de uma das turistas. A senhora, que aparentava ter 50 anos, caiu na areia e depois teve de correr ensanguentada com medo de mais violência, pedindo socorro. A ajuda policial só chegou depois de 15 minutos de terem começado os arrastões. (...)”
Isto é uma infeliz realidade que não deve ser ignorada nem escondida de quem lá vai. Agora que o Brasil passou a ser um dos destinos preferidos dos portugueses para passarem férias (e com toda a razão, pois é um país com coisas fantásticas, já não falando no amor real que a enormíssima maioria dos portugueses sente pelo povo brasileiro), seria do mais elementar sentido de responsabilidade e prudência, os operadores turísticos avisarem com toda a força os seus clientes de que, a par do positivo e edílico, há também realidades negativas e até perigosas que devem ser levadas em conta.
Farão isso ?

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