Esteve um dia de praia. Grande parte das pessoas cumpre o seu dever nestas circunstâncias: o mais depressa possível em direcção ao mar. Ou ao que dele se consegue ver.
Anos (muitos!) atrás também seguia o mesmo ritual diário em tempos de Verão. Pegava em livros, uma toalha, um suposto protector solar e pouco mais. Direcção: praia da falésia. O mais longe possível da civilização. Antes do início da “tomatada”. Entre a areia e a água. Estorricando ao sol horas e horas de seguida. Que querem vocês? Nasci com olhos azuis e pele quase mais branca que branca. Resultado: Duas insolações gravíssimas, uma aos oito meses, outra aos oito anos e uma outra, grave, aos dezoito anos (que haverá com os oito?), para além de uns valentes vermelhões de desaparecimento após recato de uns dias.
Tudo mudou desde que os dignos clínicos inventaram e lançaram ao mundo esses monstros dermatológicos com nomes sugestivamente melanómanos.
Racional quanto baste, decidi desde então que o sol só teria direito ao meu corpo a partir das 18 horas. Ora acontece que a essa hora, por vezes, entra em jogo um outro factor: uma espécie de preguiça dificultadora de me dar à trabalheira de pegar no carro e me deslocar até praia despoluída. As outras, bem próximas, deixo, de bom grado, para lisboetas que adoram ser ensardinhados.
É chegado o momento de tomar consciência de toda uma série de actividades, reais, mas que poderiam muito bem ser feitas nos outros momentos de ociosidade.
Porquê isto tudo? Porque se aproxima a hora de rumar ao mar e esse dilema tem uma hora para ser solucionado. Não, não tenho que me afligir, felizmente. Parece que ao vir do restaurante e depois de me abastecer de quilos de papel de leitura notei uns roídos estranhos no meu carro. A “certeza” que isso é impeditivo de ir mais uma vez à praia vai aumentando à medida que os minutos passam. Imaginem! Que imprudência essa seria a minha ! Nestes dias que correm? Nem pensar !
Feliz e aliviado, por aqui me fico a ler novas de velhos temas. Curando ressaca de empate com odor a Estoril.
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