ANZOL DE VELOCIDADE AZUL
I
“Preciso de sair de mim
preciso me dissolver na poeira das ruas
onde a vida acontece
onde as coisas acontecem
onde os acontecimentos desabrocham
e onde a morte costuma fintar as pessoas
com os seus olhos obscenos.
Preciso chegar a Santiago às três da tarde
antes que a lua apodreça
antes que as papoulas desmaiem
antes que a madrugada incendeie as asas dos galos
antes que os sinos dobrem.
Preciso desfolhar maldições na cova do ditador
preciso fisgar a vida
com o meu anzol de velocidade azul
preciso escrever na areia
o nome da liberdade.”
FRANCISCO CARVALHO
(Francisco Carvalho, “Barca dos Sentidos – Poesia”, EUFC, Fortaleza, 1989)

Amigo,
não sei quem é você, mas reconheço o português falado em Lisboa.. estou certa?
Amo o poeta Francisco Carvalho, e que sensibilidade a sua ao registrá-lo em seu blog!
São versos maravilhosos, o desse discreto senhor de quase 80 anos, tão pouco conhecido no Brasil.
Grande abraço pra você.
Posted by: Ana Cecília | November 12, 2004 at 01:36 AM