Mão amiga emprestou-me ontem Poesia universal em pena cearense.
“ODE A UM FALCÃO”
“Eu te saúdo, ó falcão peregrino
Imperador do céu e do ar.
Como eu te invejo ardendo nas alturas
Teu olho veloz circundando o mar.
Como eu te invejo, ó avelúcida da aurora!
Tecelão do amanhecer em chamas.
Guardião das montanhas de picos nevados
Como eu te invejo a solidão fulgurante
De desbravador de meridianos!
Eu te saúdo, ó ave de Deus
Que investes contra a cidadela do sol.
Que demiurgo sombrio te impele para o infinito
Teu olho veloz circundando o mar?
Eu te saúdo, ó pássaro arcanjo
De asas desfolhadas no azul.
Eu te invejo quando pairas sobre o rebanho das nuvens
Como se fosses um pastor das alturas.
Teu olho veloz circundando o mar.
Eu te saúdo, ó anjo de rapina
Expulso do paraíso pela cólera dos deuses!
Teu corpo de pluma e vento trespassando os astros
Com o fulgor de uma flecha de cristal.
Eu te saúdo, ó navegador solitário!
Teu olho veloz circundando o mar.”
Francisco Carvalho
(Francisco Carvalho, “Barca dos Sentidos”, Edições Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 1989)

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