Sempre me pareceu que quando se é visitante ou turista num país não nos devemos imiscuir na vida interna do país onde por tempo limitado permanecemos. É uma questão de educação e de princípios.
Isso não implica, contudo, que nos alheemos do que nos rodeia, do que vemos, do que lemos, do que ouvimos. Isso não implica que não formemos opinião, desde que tenhamos sempre consciência da precaridade temporal em que a mesma se baseia. Isso não implica que não saibamos distinguir entre o positivo e o negativo. Isso não significa que não nos revoltemos interiormente com injustiças. Isso não significa que não nos alegremos com tudo o que positivo existe.
É também uma questão de educação e de princípios.
Quanta vezes sabemos directamente de coisas terríveis que se passam à nossa volta, ou de que tomamos conhecimento, e, exactamente pelo que atrás foi escrito, escolhemos (com dificuldade, é certo) guardar para nós ou para os mais próximos a revolta que nos vai na alma. É uma escolha pela contenção. É uma questão de princípios e de educação para com o país que por dias ou semanas nos acolhe.

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