“(...) di-lo melhor que nós o conego Alves Matheus, um dos mais robustos e esplendidos talentos que honram modernamente o pulpito portuguez:
“O Brasil trimphante não esmaga os vencidos, abraça-os; não os acorrenta, redime-os; não lhes inculpe na face o rotulo aviltante da servidão, doura-lhes os horisontes com os esplendidos arreboes da emancipação politica e social.
“Coroando a paz com magninimidade egual ao desinteresse com que fizera a guerra, dando o nobilissimo exemplo de uma generosidade, que exalça o nome do vencedor e perpetua a grandeza da victoria, o Brazil deseja e só quer, como despojos opimos, o trimpho da liberdade e a civilizção de um povo.
“O imperio do Brazil, descingindo a sua espada victoriosa, não faz dos louros colhidos travesseiros de ocios, tracta de refazer as suas forças para as dispender nos trabalhos fecundos da paz, aproveita o seus recursos immensos para impulsar os seus progressos e encimar a obra já tão medrada da sua civilisação.
“Tem á sua frente um Imperador illustrado, religioso, liberal e magnanimo, que honra o principio monarchico, que vive triste por não ver apagado ainda de seus Estados o quadro tristissimo da escravatura, e no qual, sem resaibos de adulação, altos espiritos andam de par com altas virtudes.
“Eduquemos o povo, fundemos escholas com esse dinheiro, dizia elle, ha pouco, ao engeitar uma estatua, que lhe offerecia o amor do seu povo. Nobres palavras, que transladam nobilissimos sentimentos. Se a estatua glorificava um homem, a eschola alumia um povo; se a estatua perpetuava um feito, a eschola adianta uma civilisação; se a estatua ficava como monumento do passado, a eschola abre-se como sementeira do futuro.
A eschola vale bem mais do que a estatua. Bisarra troca e digno soberano, que assim dá exemplos a povos e lições a reis.”
(De: Augusto de Carvalho, “O Brazil – Colonisação e Emigração”, volume primeiro (Historia) , Tipographia de Bartholomeu H. de Moraes, Porto, 1875)
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