““Do abençoado Brazil tem-nos vindo ultimamente cabedal e alguns homens activos e emprehendedores, que reservaram parte da vida para a virem a empregar em utilidade sua e de seu paiz. D’antes vinha só dinheiro. Quem o trazia, ou vinha para as Caldas, ou passar o inverno no leito. Eram vidas exhauridas pelo trabalho. Não tinham mais que dar. Hoje a rapidez e facilidade das communicações transformaram tudo. Vão-se buscar á America habitos e habilitações de trabalho, e que só a necessidade longe do ninho paterno sabe ensinar. Algumas casas importantes de Lisboa e Porto, assim como algumas das emprezas modernas, são administradas por individuos que iniciaram a sua carreira no Brazil. É mais um beneficio que Portugal deve ao grande paiz, seu irmão e amigo, que, depois de emancipado, nos tem sido muito mais util do que nos fôra sob o nosso dominio. É de dever confessar isto, e seria ingratidão não o dizer. O Brazil ha-de ter sempre a nossa estima e veneração.””
(Publicado na “Correspondencia de Portugal”, citado em: Augusto de Carvalho, “O Brazil – Colonização e Emigração, volume primeiro”, Typographya de Bartholomeu H. de Moraes, Porto, 1875)

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