Dois dias em Albufeira que valeram bem a pena. Seja qual for a duração da estadia, quando se regressa a uma cidade onde se viveu há como que uma (re)integração imediata no local. Como se o interregno tivesse sido mínimo. Albufeira tem, obviamente, mudado muito ao longo dos anos. Uma mudança mais em quantidade do que em qualidade. Continua a haver um nítido défice de oferta cultural, apesar do que, mesmo assim, hoje já aí acontece. Desta vez deu para ver uma exposição de tapeçaria ornamental e visitar “Paginários – As Páginas do Imaginário”, título imaginativo para uma feira do livro. Uma feira do livro naquela hora totalmente desprovida de público. Seríamos não mais do que 6 visitantes cerca das 18,30 horas do sábado. Algo está errado nisto. A difusão do acontecimento não será o motivo deste alheamento, pois ouvi-o e vi-o anunciado várias vezes. Quer-me parecer que o local (as arcadas da marinha) terá sido muito mal escolhido para esta época do ano, ao que se acrescenta um evidente divórcio da população actualmente residente na cidade e a cultura do livro. Apesar da exígua escolha disponível, acabei por comprar, depois de ter acertado o preço, inicialmente exageradíssimo, um livro que me entusiasmou e que com enorme alegria trouxe: “A Pablo Picasso” de Paul Eluard, ed. Martin Secker and Warburg, London, 1947. Só por este livro já valeu a pena ter ido.
Como aí escreveu Eluard: “Dans ce haut lieu qu’est l’oeuvre de Picasso, j’ai voulu partager les intarissables plaisirs qu’elle me donne, j’ai voulu prouver, dans les termes et dans les formes, la confiance que l’homme fait à l’homme.”
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