Segundo os noticiários, o senhor Sharon, mais uma vez, mostrou quem é e o que quer. Ninguém pode dizer que o não conhece, quais são as suas verdadeiras intenções, quais os métodos que ordena que sejam utilizados. Lembram-se do que ele mandou fazer, há muitos anos, nos campos de Sabra e Chatilla, no Líbano? A continuação do conflicto no Médio Oriente é, sem dúvida, a verdadeira fonte justificadora da grande maioria dos enormes problemas de terrorismo com que o mundo se confronta. O problema do Médio Oriente tem uma solução justa e efectiva? Claro que tem. O que se passa é que Sharon não quer essa solução. Não lhe convem. Ele destroi todas e quaisquer possibilidades de ela se concretizar. Toda a gente sabe isso, incluindo, sobretudo, os seus amigos e cúmplices ultras da actual administração americana. Não se confundam as coisas. Sharon não é o povo judeu. Sharon não é o povo israelita. Assim como Busch não é o povo americano. Como o não é a clique ultra que o rodeia, o aconselha ou condiciona. Nunca se deve confundir um povo com os seus dirigentes, mesmo que em certa altura possam ter sido eleitos para o cargo que ocupam. Não é assassinando um dirigente espiritual palestino, por mais inflamadas e recrimináveis que pudessem ser declarações suas, que se resolve o problema do Médio Oriente. Não é assassinando palestinianos que se resolve o problema. Não é assassinando israelitas que se constroi a paz. Não é assassinando quem quer que seja que se evitam mortes. Não é com terror, seja qual for a sua dimensão, sejam quais forem os seus autores, sejam quais forem as suas causas, que se luta contra terrorismo. É com vigilância, é com firmeza de ideias e princípios, mas é também com a verdade e a coragem de se dizer não, de dizer basta, mesmo àqueles que possam ser ou ter sido nossos aliados. Se Busch quizesse, já o conflicto do Médio Oriente há muito estaria resolvido e o povo esraelita e o povo palestiniano poderiam viver e confraternizar em paz e harmonia, como vizinhos independentes e vigilantes da sua segurança mútua. Se isso não acontece é porque não quer. (Sharon sabe muito bem isto e também que o tempo corre contra ele, na perspectiva, cada vez mais realista, de em Janeiro do próximo haver uma administração americana verdadeiramente democrática). Torna-se assim, mutatis mutantis, conivente do terror resultante do mesmo conflicto e das suas repercussões no mundo. É altura dos seus aliados lhe dizerem clara e sonoramente: basta!
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